Aula de campo em Carutapera destaca importância das religiões de matriz africana na formação cultural do município
Por Paula Lima em 26 de novembro de 2025

Alunos de Pedagogia do Polo Carutapera participaram, no dia 9 de novembro, de uma aula de campo da disciplina História e Cultura Afro-Brasileira, ministrada pela professora Sherlene Regea Araujo Farias. A atividade trouxe como tema central “As religiões de matriz africana no berço da cultura de Carutapera” e ocorreu nos terreiros da mãe de santo Ivana e do pai de santo Pajezinho, espaços tradicionais da religiosidade local.
O objetivo da ação foi reconhecer, valorizar e compreender a presença das religiões de matriz africana na formação histórica, social e identitária de Carutapera, além de combater preconceitos e estimular o respeito à diversidade religiosa.
Durante a atividade, os estudantes participaram de rodas de conversa, apresentações culturais, análise de vídeos, e ouviram depoimentos sobre as tradições afro-brasileiras que marcam a história do município. A turma também realizou pesquisas sobre práticas religiosas locais, entrevistou moradores da comunidade e organizou painéis temáticos com elementos simbólicos das religiões de matriz africana, como instrumentos, músicas, narrativas e manifestações culturais típicas.
Ao longo da vivência nos terreiros, foram apresentados princípios fundamentais dessas tradições, como a crença nos Orixás, a importância dos guias espirituais e o papel da caridade como fundamento moral. O encontro promoveu um diálogo rico entre comunidade e universidade, permitindo que os estudantes fizessem perguntas, compartilhassem percepções e refletissem sobre diversidade, religiosidade e identidade.

A professora Sherlene destacou a relevância da aula de campo para a formação dos futuros pedagogos. “Este momento é fundamental para que nossos estudantes compreendam que as religiões de matriz africana fazem parte da nossa história e da formação cultural do povo de Carutapera. Valorizar essas tradições é reconhecer a resistência, o saber ancestral e a contribuição do povo negro para nossa identidade. Trabalhos como este ajudam a combater o preconceito e promovem uma educação verdadeiramente inclusiva, baseada no respeito e na diversidade”, disse.
A estudante Ana Claudia também ressaltou o impacto da experiência: “A disciplina de História e Cultura Afro-Brasileira proporcionou à turma de Pedagogia um estudo sobre a Umbanda local e um momento de grande aprendizado e reflexão. Visitamos dois importantes terreiros da nossa cidade: o Tenda São Jorge, do senhor José Jordelino Pajezinho, e o terreiro do Caboclo Pena Verde, de propriedade da senhora Ivana Quadros Viana. Foi uma oportunidade de conhecer mais a fundo a Umbanda e seu caráter sincrético, que integra tradições africanas, indígenas, espíritas e católicas. A aula contribuiu para desfazer estereótipos, ampliar o olhar sobre a riqueza cultural do município e reforçar a importância de tratar o tema com sensibilidade e responsabilidade. Fortalece a identidade cultural de Carutapera”.
Ao aproximar os estudantes das práticas religiosas presentes na comunidade, a atividade contribuiu para romper preconceitos, valorizar saberes ancestrais e fortalecer a identidade cultural do município. Uma experiência que ultrapassa os muros da universidade e reafirma a importância de uma educação plural, inclusiva e comprometida com o respeito às tradições afro-brasileiras.



Por: Paula Lima